quarta-feira, agosto 29, 2007

Aventuras na Pedra do Sino - Teresópolis RJ






Normalmente só gostamos de contar as vitórias, mesmo porque, são elas que nos dão prazer, as quais gostamos mais de lembrar e divulgar para os quatro cantos do mundo. Todavia, a vida não é feita apenas de momentos alegres e felizes. Quando iniciamos uma jornada, imaginamos a quão prazerosa ela pode ser, e até pensamos nas dificuldades e problemas, mas como de costume, só vislumbramos o final do percurso, o prazer alcançado e sentido, todo o sofrimento some diante do clímax. Mas que mal há nisso? Aliás, o que vem a ser bom ou ruim? Bem ou mal?
Afinal de contas, nós somos ou não os roteiristas de nossa história pessoal.
Publicamo-la como desejamos e temos vontade, e como redatores da história, o que vem a ser verdade ou não pertence ao nosso ponto de vista. Nós é que valorizamos ou subavaliamos o que gostamos e sentimos, ou seja, o que vem a ser importante para nós mesmos. Vez por outra somos obrigados a admitir “imperfeições”, mas o que seriam estas? O que é tido como parâmetro para se chegar a isso?
A felicidade é construída de pequenas alegrias, sinta-as e viverás feliz.
Como em muitas ocasiões, já comentei, não adianta estar diante de algo maravilhoso e encantador. É necessário primeiro que saiba reconhecer em seu coração, o que vem a ser isso.
As pessoas são diferentes e as percepções assim as são...

























































































































































































































































































































































































terça-feira, agosto 28, 2007

Trilha/escalada à Pedra do Sino- Teresópolis - RJ

Momento marcante na subida da Pedra do Sino, na Serra dos Órgãos - Teresópolis - bem acima do Dedo de Deus... Não vou dizer que foi fácil... ainda mais para um cara um pouco sedentário como eu... Foram momento difíceis , mas... prazerosos... e como um grande camarada (Ricardo)meu disse:"... as coisas gostosas e prazerosas tão uma tremedeira nas pernas..."

Em dexistir não pensei, mas me perguntava o que realmente estava fazendo lá ?

Passei (passamos) por privações, dificuldades, calor, frio, muuuito frio! saudades do conforto e aconchego do lar, da companhia de outras pessoas que talvez deseja-se que estivesse lá, além do desgaste físico e mental...

Era só aventura, o gosto de algo diferente... realização de um sonho de criança... ou de "adulto"? desejo de superar os próprios limites? prazer pelo prazer? vontade de provar pra todo mundo ... eu também posso fazer isso!!! ou será pra mim mesmo? a quem eu queria agradar, satisfazer? a quem se não a mim mesmo? ao meu própio ego?

As imagens podem mostrar algo vivido e esperimentado, contudo, a emoção, por mais que tente demonstrar, pertence a aquele momento e instante... outros virão, melhores ou piores, todavia, aquele foi único! Estar lá, viver tudo aquilo foi uma experiência magnánima! encantadora!

Houveram instantem - claro, não estão nestas imagens - que fui a exaustão, ao cansaço extremo. A companhia dos camaradas Ângelo e Ricardo foram excepcionais... cada um ajudando e apoiando o outro... todos buscávamos algo... espero que todos tenham encontrado...

Continuo a pensar sobre as limitações do ser humano... acho que nunca vou parar...

Vivo e continuo a viver sobre "certas" limitações econômico-financeiras, porém, o sorriso é enorme e não se abala com facilidade. Acho que gosto mais de mim agora do que antes... e logo eu, que já era um pouco nascisista ... apesar de todas as coisas... passei a gostar mais ainda ... Mas me controlo, aliás, isso é mais do que necessário...

Viva o momento presente, viva as alegrias e emoções...

sexta-feira, agosto 17, 2007

Resenha de República-Pós em História do Brasil




Pós- graduação Lato Sensu em História do Brasil

Maurício de Oliveira

Turma 2007

Módulo República


CARVALHO, José Murilo de – A formação das almas: o imaginário da República no Brasil. São Paulo, Companhia das Letras, 1990.





Nos bastidores do início da República

Maurício de Oliveira


CARVALHO, José Murilo de – A formação das almas: o imaginário da República no Brasil / José Murilo de Carvalho - São Paulo: Companhia das Letras, 1990. 166 pág.






O início da República no Brasil – assim como fora o início do Império – é notadamente marcado pela ausência de um movimento popular revolucionário, ainda mais quando tomado como parâmetro, expressivos acontecimentos em outros países, principalmente os dois grandes ícones do momento, quer seja, a Independência Americana, com seu modelo de República, em menor escala, e a grande Revolução Francesa, a qual fora ostentada como exemplo a ser seguido. Neste contexto, o autor busca ir mais longe, com intuito de demonstrar que a busca de legitimação de tal regime, aconteceu de inúmeras formas, sejam elas através de defesas ideológicas, símbolos, monumentos, hinos, e por aí segue... Tudo na tentativa de atingir o imaginário da nação.
Para tanto, José Murilo de Carvalho – doutor em ciência política pela Universidade de Stanford, renomado e conceituado historiador, já tendo atuado em algumas prestigiadas universidades européias, e que atualmente leciona na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ, além de possuidor de um estilo singular na conduta, pesquisa, aprimoramento e publicação de suas obras, o qual já havia nos agraciado com uma excelente obra a respeito, digo: Os bestializados: O Rio de Janeiro que não foi – nos apresenta, “A formação das Almas: o imaginário da República no Brasil”.
Além destas, o autor já publicara: Teatro de Sombras, A Construção da Ordem, Desenvolvimento de la ciudadanía en Brasil, além de inúmeras entrevistas e artigos, dentre os quais, menciono um exposto no jornal O Globo de 16/12/1999, pág.7, intitulado – Como escrever a tese certa e vencer – referindo-se a determinadas “orientações” a um hipotético doutorando, com o intuito de ajudar a descobrir o caminho das pedras, porém, segundo ele mesmo, sem garantia de êxito, mas mais do que válido para o iniciante, no qual se mostrou marcante. Este professor, com mais de 35 anos de carreira, mostra vitalidade e sutileza no trato com a História, principalmente o período em questão.
Em “A formação das almas”, Carvalho debruçasse sobre uma questão pendente em obra anteriormente publicada sobre a implantação da república. E especulo que a inspiração para desenvolver tal obra, poderia ter surgido diante do momento turbulento que passara o Brasil, com a primeira eleição direta para presidente após longo período de autoritarismo. As massas foram para as ruas, mas o eleito fora o “Caçador de marajás”, imagem mítica, criada no imaginário popular.
José Murilo questiona-se sobre a intenção de envolver a massa nessa discussão, (a República) para que esta a encampe, sinta-se envolvida no novo momento político que hora se mostrava. Nesse intuito, analisa mais que a ausência do povo durante a parada militar que a proclamara, tenta reconstruir o momento anterior e posterior – os bastidores – do imaginário de todas as partes, quer seja a elite letrada, as correntes ideológicas ou os militares. Traz-nos novas reflexões a respeito, levantando dados, mencionando movimentos partidários, ideologias vigentes, correntes filosóficas e quase que religiosas, os caminhos seguidos e a dificuldade da transposição de idéias de outros países para as particularidades do nosso, etc.
O objetivo central de José Murilo de Carvalho nesta obra, fora a tentativa de suplantar as visões de República para a sociedade além da elite, assim como a batalha pelo imaginário popular. Segundo ele, isto se daria, ou fora tentado, através de códigos de comunicação mais acessíveis a um público com baixa educação formal, que segundo aponta, teria de ser feita “mediante sinais mais universais, de leitura mais fácil, como as imagens, as alegorias, os símbolos, os mitos”, etc. Todavia, questiono se seriam estes realmente mais fáceis de serem interpretados. Acredito que não! E o próprio autor também reconhece a inexeqüível tarefa.
Para demonstrar a importância dos símbolos, rituais, mitos e hinos na formação do imaginário social, influenciando assim “poderosamente na formação das almas”, Carvalho faz uso constante de citações destes, durante a Revolução Francesa, contudo, como reconhece em sua conclusão, a sociedade francesa – e a parisiense em especial – era bem diferente da carioca, ou a brasileira. Pois para tornar legítima a República proclamada, teria de se construir nova origens, símbolos ou mitos que unissem todo o país, algo que a monarquia possuía na imagem do Imperador.
Em certo momento menciona, aliás, busca explicar, com intervenções concisas, relatos e explanações, o poder da figura feminina para representar a República – na França – e toda a simbologia criada, e um tipo de misticismo religioso em volta de tal figura. Isto como uma introdução para demonstrar como os republicanos brasileiros – principalmente os que se espelhavam no país europeu como modelo de república – possuíam uma vasta “bagagem” quando se tratava do uso de imagens e símbolos para representar o movimento político que buscava se concretizar, solidificar no início do período republicano no Brasil. Contudo, a caracterização, como o autor lembra da figura emblemática feminina no Brasil, não surtira o efeito desejado.
No desenvolvimento do livro, o uso constante da França para demonstrar a importância da simbologia, às vezes, torna-se exageradamente “maçante”, mas não deixa de ter sua importância, mesmo que por ocasiões, confunda-se de qual país deseja-se demonstrar a formação das almas.
A vasta bibliografia e a consulta de inúmeras fontes, aliado a uma quantidade significativa de colaboradores, demonstram o fôlego impactante de José Murilo de Carvalho para a escrita de “A formação das almas”, assim como uma base significativa para a defesa de tal ponto de vista.
Com referência ao modelo estilístico seguido para a confecção do livro, com “notas de fim de texto”, muito em uso por sinal, por mais que muitos achem esteticamente mais apresentáveis, considero como uma espécie de quebra de leitura, pois na maioria das vezes, o leitor não gostaria de mudar de página para saber o que diz tal nota ou referência, sendo assim, a “nota de pé de pagina”, como instrumento elucidador/informativo/complementar seria um recurso mais proveitoso.
No tocante ao título: “A formação das almas”, acho-o instigante/estimulante e porque não dizer tentador, porem, às vezes poderia passar a impressão que irá desenvolver outro assunto, que não a batalha para a implantação e consolidação da república. Quando li, nas orelhas do livro, como o autor desenvolveria tal tema, imediatamente associei-o ao “Processo Civilizador” de Norbert Elias, no qual descreve o surgimento de certos conceitos e a transformação de outros. Também lembrei de Marilena Chauí, em “Brasil, mito fundador...”, mas o assunto fora outro.
Enfim, a construção de um ideal de nação, através da formação da alma, do pensamento, do sentimento de um povo, é algo que deve ser forjado com mitos, mas também com fatos e personagens reais. A verdade histórica, por vezes construída, buscada e almejada por todo historiador, é algo que nem sempre se consegue explicar, quiçá aceitar e compreender.
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segunda-feira, junho 18, 2007

Imagens do meu Rio de Janeiro, com o Mauricinho de quebra...

Sempre que subimos ao Corcovodo e estamos aos pés do Cristo Redentor nos deslumbramos com imaagens lindamente encantadoras... Ves por outra esquecemos que vivemos em um lugar maravilhoso , pois os distúrbios teimam em querer apagar o brilho de tão encantador lugar... Eu vos digo: A vista de lá é muito LINDA!!!!!!!

























































































































































































































































































































































































sexta-feira, maio 11, 2007

Resenha de Império - UFF

Pós- graduação Lato Sensu em História do Brasil

Maurício de Oliveira

Turma 2007

Módulo Império

PIÑEIRO, Théo Lobarinhas – Crise e resistência no escravismo colonial: os últimos anos da escravidão na província do Rio de Janeiro, Passo Fundo, UPF, 2002.

A Resistência escrava no Brasil Império

Maurício de Oliveira

PIÑEIRO, Théo Lobarinhas – Crise e resistência no escravismo colonial: os últimos anos da escravidão na província do Rio de Janeiro/ Théo Lobarinhas Piñeiro – Passo Fundo: UPF, 2002. 168 pág. (Malungo:2)

Théo Lobarinhas Piñeiro faz parte da nova e talentosa safra de grandes historiadores surgidos no encalço da abertura política brasileira. É contemporâneo de mudanças singulares que varreram o Mundo, e em particular o Brasil, com movimentos populares ímpares e uma constante transformação democrática. Pertence à Direção da Associação Brasileira de Pesquisas em História Econômica e atualmente é professor adjunto na conceituada Universidade Federal Fluminense, onde fez sua graduação (1982), defendeu sua tese de mestrado (1989), e doutorado em história (2002), possuindo vasto conhecimento e experiência nesta área, com ênfase em História do Brasil.

Crise e resistência no escravismo colonial, que fora sua tese de mestrado, foi publicado muitos anos após sua defesa – 13 anos - , e como o próprio apresentador de sua obra – Mário Maestri – diz: “como os homens, os livros envelhecem, contudo, não fora o caso deste”. Todavia, talvez a inspiração para a pesquisa e desenvolvimento de tal tese, tenha surgido diante de percepção do movimento popular e clima existente em sua época – como as diretas já, o Plano Cruzado, o descontentamento com inúmeras greves e passeatas, a hiper-inflação, e a própria aproximação com o clima eleitoral para presidente após o período ditatorial. Talvez Théo tenha feito uma conexão do movimento popular que ora tivesse tido acesso ou presenciara, com a luta e resistência do cativo na busca de sua liberdade, respeitando-se aí as devidas particularidades.

Tal publicação insere-se na historiografia com a intenção de mostrar que os cativos, ao sublevarem-se e resistirem da maneira que lhes era possível, também contribuíram para pressionar pelo fim do escravismo. E que não foram, como contumasmente são mencionados, meros e simples expectadores dos acontecimentos históricos. Para tanto, Théo busca traçar uma linha de pensamento pautado na importância da luta e resistência dos trabalhadores escravizados levando em consideração não à subtração de qualquer participação ou importância para o fim do escravismo, mas sobretudo insere o movimento de resistência no contexto histórico ao lado de outros fatores que comumente são retratados como relevantes, quando se deseja compreender a extinção do trabalho escravo em uma sociedade em ebulição, como a brasileira.

Crise e resistência do escravismo colonial, retrata os acontecimentos percebidos na última década antes do fim da escravidão, tomando como exemplo alguns municípios do então rico Vale do Paraíba Fluminense, em especial os de Valença e Vassouras. Fazendo um recorte e expondo-os como o que talvez também tivesse ocorrido no imenso Brasil rural da época.

Nas primeiras partes da obra ficam claros os ambientes, regiões e épocas que serviram como focos do estudo, todavia, o título estampado na capa poderia induzir a uma abordagem mais ampla, como por exemplo às turbulências e particularidades no Recôncavo Baiano, assim como na diversa região mineradora das Minas, ou os movimentos pernambucanos, como também em inúmeros outros locais importantes em que a resistência à escravidão sempre existira. Entretanto, a abordagem das formas e maneiras que os subjugados se utilizavam, como as fugas e rebeliões, facilmente poderiam ser abordadas em quaisquer desses contextos. Vale lembrar apenas as particularidades das regiões cafeeiras.

No decorrer do debate sobre o fim da escravidão, assim como na desmistificação da Lei de 13 de maio de 1888, nos desdobramentos do processo gradual do escravismo, no movimento abolicionista, além dos problemas enfrentados pela Coroa em manter a unidade e a ordem, Théo busca contextualizar os movimentos de resistência, sugerindo uma releitura sobre a relação luta escrava versus fim da escravidão, pois a crise do escravismo seria estrutural, considerando que na organização e dinâmica da produção escravista estariam intrínseco elementos que explicariam a sua própria desagregação. Isto em si, justificaria a ênfase nesta outra abordagem, a qual vai de encontro com visões amplamente difundidas, como a de que a abolição da escravatura teria sido um negócio de “brancos”, ou teria ocorrido em função do simples desenvolvimento do capitalismo internacional. Lobarinhas, embora reconheça os desdobramentos do desenvolvimento industrial e capitalista, o contexto histórico internacional, e inúmeros outros fatores, lembra que mesmo em obras que sugerem análises e sugestões no sentido de entender a superação do escravismo colonial como fenômeno estrutural, estes em quase sua totalidade, deixam de considerar o papel do cativo nesse processo.

Théo Lobarinhas Piñeiro cita vários autores que fizeram da presença negra em nossa sociedade uma vertente em seus estudos, dentre os quais Emília Viotti, José Murilo de Carvalho, Mário Maestri, Gorender e Ciro Garcia, estes últimos lembrados marcadamente nesta obra. Porém, todos, assim como inúmeros outros autores, também lembram em suas obras sobre a História do Brasil, a manutenção da escravidão como um dos pontos centrais que tenderiam em favor da escolha pelo “modelo” de império que se desejava e sua sustentação. Ou seja, a perpetuação da escravidão era mais do que uma opção, quem sabe o único caminho para manutenção da “ordem”. Diante disso, torna-se incontestável o estudo da escravidão para se compreender os movimentos ocorridos durante o Império Brasileiro. Suas revoltas, o custo de manutenção de tal sistema, a “opção pela extinção” de modo brando da escravatura e até a sua “ruptura” através da Lei de 13 de maio.

A Lei do Ventre Livre em 1871, teria sido a opção encontrada para o desenlace lento, gradual e seguro da escravidão, inclusive com eventual indenização pela perda do escravo – que não ocorreu -, que aliás em muitos casos era o principal ativo de muitos fazendeiros. Pois diante da crise que se arrastara desde o fim do tráfico negreiro, ou segundo outra ótica muito antes da nossa independência, poderia culminar em algo aterrorizador para a sociedade escravocrata e tão hierarquizada da época, pois se deveria agir sobremaneira para que as mudanças – que eram inevitáveis – não viessem através de qualquer movimento revolucionário, ou quem sabe uma própria guerra civil, pois o pesadelo haitiano, por mais longe que tenha sido, e distante da realidade brasileira, fora real.

Lobarinhas reconhece que a abordagem do tema em foco apresenta certos empecilhos quanto á obtenção e crítica de dados. Pois usa como fontes para sua sustentação os jornais da época, pouco pelo dizem e mais pelo que tentam omitir, relatórios de presidentes da província do Rio de Janeiro, chefes de polícia, inventários das fazendas, registros de cartórios, assim como outros pesquisados no Arquivo Nacional. Lembra que em muitos casos as documentações disponíveis foram produzidas por proprietários de escravos ou grupos a eles ligados, e cita a necessidade de compreender como se dava a sociedade escravocrata altamente explosiva de então, com suas dinâmicas, modo de produção, leis e tendências. Faz um esboço da “empresa escravocrata”, a dependência de uma mão-de-obra cativa, um pequeno histórico da oscilação do preço do produto a ser exportado (que nesse caso era o café), o preço pego ao fazendeiro e no porto, a dependência do mercado externo, a busca de rentabilidade da fazenda escravista e o custo da mão-de-obra. Contudo, o uso de inúmeras tabelas e quadros como anexos são muito menos explorados do que se estivessem sendo decodificados e discutidos no meio dos textos, pois dificultam um pouco a visualização imediata, mas são uma fonte mais do que importantes.

Théo analisa qual é o papel da resistência escrava como elemento também estrutural, que tendeu a acelerar o processo crítico e como influenciara nas relações de reprodução escravista. Consegue retratar com uma proximidade satisfatória, um mundo rural altamente sintonizado com o urbano, no qual estão presentes os movimentos abolicionistas, a preocupação dos senhores escravistas e dos demais libertos com a iminência do fim da escravidão, os relatos e receios das forças públicas e particulares responsáveis pela segurança, o número exorbitantemente desordenado de alforrias, e a preocupação crescente que faziam suscitar os temores e o pânico. Enfim, consegue demonstrar, reconstruindo e nos transportando, o clima existente na região cafeeira do Vale do Paraíba Fluminense, principalmente nos últimos momentos que antecedem a assinatura da Lei Áurea.

Crise e resistência no escravismo colonial nos leva a concluir que a questão da resistência escrava encontra certo respaldo, no que contribuiu para o fim da escravidão a luta do cativo. Principalmente quando se observa o aumento das alforrias e a qualidade destas, pois colocara em cheque um dos pilares de sustentação do sistema. Não que deseje justificar que o fim do escravismo foi através da luta do escravo, mas trazer à luz de nossos olhos, idéias e pensamentos que nos levem a observar também essa outra linha de pensamento.

domingo, fevereiro 11, 2007

O Homem do Saco!!!!

Caramba, lembram da lenda do Homem do Saco! Pois é , eu sou uma versão...rsrsrsrs Sendo que este está cheio de gelo.... Em plena Praia da Barra da Tijuca, meio de semana, dezembro de 2006...
Pura lenda....
Haja bebida pra gelar e e disposição pra beber... Bem, o calor? até que ajudou...
Abraços pra Tiara e o Ricardo.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Arara Azul !!!!!


O fascínio que esta ave exerce sobre qualquer um, às vezes , tentamos explicar com palavras, mas a alegria de poder tacá-la, acariciá-la e sentí-la caminhar em seu braço , com tal exuberância e beleza nem sempre conseguimos.


































quinta-feira, janeiro 11, 2007

Será/ que eu vou ser o dono dessa festa/ um rei/ no meio dessa gente tão modesta/ eu vim descendo a serra / cheio de euforia para desfilar/o mundo inteiro espera/ hoje é dia do riso chorar...
Vivemos em uma terra de contrastes, em que se confundem bondade e respeito, como sendo algo de uma pessoa boba e ingênua, e por conseguinte não desejável. Num Mundo que se percebe cada vez mais corrido, em que ninguém tem tempo para nada, e que os próprios vizinhos mal se falam, e que nos trancamos na "segurança" de nosso lar, ao mesmo tempo pode ser notado que passamos a trocar confidências com estranhos através da internet, numa fuga ou busca incessante por algo que não se sabe o quê. Nisso os valores se alteram, se modificam com uma fluidez que vez por outra não conseguimos acompanhar .
A vida real se difere da desejável ou a sonhada nos contos de fada da infância. E o que se percebe é o Mundo do Capital, do dinheiro, do poder de compra, contudo, também o da solidão e do isolamento. Se eu compro eu existo, e isso é o que seria o mais importante, e divulgado com tanta naturalidade que se notam bruscas mudanças no comportamento tornando-se uma verdade indiscutível, a qual já estaria virando um consenso.
Junto a tudo isso, a banalização da violência nos afugenta das ruas , e torna algo abominável em cotidiano, e lev o medo a nos afastarmos cada vez mais da simplicidade e do aconchego das calçadas, e da intensidade do bate papo olho no olho, que outrora fora apontado como tão importante para uma sociedade sadía e feliz.

quarta-feira, novembro 29, 2006

Resenha do livro de Schwartz, Stuart B



UFF - Universidade Federal Fluminense
Pós- graduação Lato Sensu em História do Brasil

Maurício de Oliveira

Turma 2007

Módulo Colônia


SCHWARTZ, Stuart B – Segredos Internos: Engenhos e Escravos na Sociedade Colonial, São Paulo, Companhia das Letras, 1995.





A Bahia como espelho do Brasil Colônia

Maurício de Oliveira


SHWARTZ, Stuart B – Segredos Internos : engenhos e escravos na sociedade colonial, 1550-1835 / Stuart B. Schwartz; tradução Laura Teixeira Motta. – São Paulo : Companhia das Letras, 1988. 474 pág.





Stuart B. Schwartz, famoso historiador estadunidense, conhecido como um brasilianista de renome, PhD pela Columbia University e professor titular na Yale University, marcou mais uma vez sua assinatura no universo de estudos sobre a História do Brasil Colônia com os “Segredos Internos: Engenhos e escravos na sociedade colonial”, título dado à sua obra Sugar plantations in the formation of Brazilian Society, Bahia, 1550-1835 , por Laura Teixeira Motta.
Segredos Internos foi um dos muitos trabalhos publicados pelo autor , contudo, este desejou marcar literalmente a historiografia brasileira ao vislumbrar e detalhar o contexto de uma nova e profunda visão sobre assuntos que vez por outra esbarram em consensos, como o cotidiano na colônia, as relações de poder entre senhores, lavradores e escravos, a metrópole e seu domínio em terras americanas, a formação da sociedade baiana e por conseguinte a brasileira, o uso e substituição da mão-de-obra escrava indígena pela africana, a importância dos engenhos e do açúcar como instrumentos de desenvolvimento para Salvador e na extensa e fértil região do Recôncavo baiano, as aspirações de uma classe senhorial mal vista pela Coroa portuguesa e subjugada a preconceitos pelos residentes em Portugal, e os conflitos e frustrações dos cativos , entre muitas outras coisas.
Schwartz se mostra recatado, e reconhece a dificuldade de compreender determinados conceitos e modos de se perceber vigentes no contexto brasileiro, pois não sendo um nativo, demorara a observar sentidos e significados, e nem sempre os consegue deduzir, talvez isso faça com que sua obra tenha tanto valor e abrangência e seja reconhecida como quase um clássico por muitos autores, servindo para críticas de uns e aclamada por outros, em função deste ser um olhar de um estrangeiro a falar sobre nossa história – e com propriedade – o que pode nos causar certa repulsa e de outra forma para alguns até estranheza. Contudo, ele não seria o primeiro escritor não nascido no Brasil a falar sobre nosso passado, aliais, muito pelo contrário, é de conhecimento geral que após a independência do nosso país foi promovido um concurso para saber como contar a história do país que “acabara de nascer”, e o vencedor fora um estrangeiro e posteriormente quem a escreveu também o foi. Entretanto, a busca de isenção é uma marca no caso deste escritor contemporâneo nascido nos Estados Unidos.
Segredos Internos nos leva a uma viagem no tempo e no espaço, com uma linguagem simples e momentos de suavidade, porém forte e profunda, vez por outra beirando às de um romance, nos remete de forma quase que didática ao período anterior à formação do Brasil colônia, num verdadeiro mergulho no doce sabor do açúcar e sua importância no mediterrâneo, onde teve início o aprimoramento das técnicas dos engenhos e posteriormente a sua utilização nas ilhas atlânticas da costa africana, aonde chegaram pela expansão marítima ibérica, que levou a cultura da cana para outros lugares no século xv. Foi inclusive lá que os portugueses iniciaram a expansão do seu império, e o uso mais intensivo de mão-de-obra escrava africana, fazendo com que desde muito tempo houvesse a associação entre a indústria açucareira e a escravidão, sobretudo a proveniente da África. Também teve início nestas ilhas o sistema de capitanias e posteriormente até a tentativa de “embranquecer” a população, algo que iria ser também experimentado – sem sucesso – em terras brasileiras. Para muitos autores tudo o que acontecera antes do Brasil, servira como um aperitivo, um experimento que seria levado mais a sério no novo mundo descoberto, mesmo que isso não fosse premeditado.
O uso do cultivo da cana como método para iniciar o povoamento de suas novas colônias é comentado por Schwartz como uma das formas encontradas pela Coroa portuguesa de expandir o seu império, haja vista as dificuldades encontradas pelos lusos no oriente. E este autor nos faz lembrar que no Brasil, Pernambuco já despontava como um grande pólo açucareiro, todavia , a cidade da Bahia (Salvador) fora fundada em 1549, como capital da colônia , e a qual usará a força do açúcar como grande mola propulsora para o seu desenvolvimento e concomitantemente o restante da região do Recôncavo. Pois os engenhos eram como fábricas/indústrias com suas peculiaridades, incertezas, dificuldades de ganhos e possibilidades de ascensão, todavia de uma complexidade muita além da simples moenda de cana e do fabrico do açúcar, pois toda a estrutura de uma sociedade dinâmica, porém agrária, estava presente. Senhores de engenhos, lavradores, escravos, comerciantes, divisões “especializadas” do trabalho, instituições religiosas, instituições de crédito, atividades relacionadas com o porto e as embarcações, além das câmaras municipais, o governo da província, as relações com a metrópole e o restante da Europa, as Leis, os Impostos e por aí segue...
Para Schwartz – que usa como fontes vários registros dos engenhos, anotações de outros pesquisadores como Antonil, a historiadora Rae Flory e o pintor Franz Post, e que admiravelmente faz uso de pensamentos de tão diversos ícones como: Adam Smith, Karl Marx e Engels, não esquecendo de outras dezenas e dezenas de autores e pesquisadores lidos, de causar inveja e de impressionar a qualquer um – a estrutura da sociedade brasileira, e em especial a baiana, tendo como alicerce a mão de obra escrava, fez com que esta se desenvolve-se de forma peculiar. E para explicar ele perpassa o encontro de mundos tão diversos como o indígena e o europeu, e depois a “preferência” pela escravidão africana e seu uso intensivo nos engenhos de açúcar, além de nos lembrar a luta desta com sublevações e resistências na tentativa de busca pela liberdade, com uma paixão e conhecimento, que vez por outra se torna uma descrição de detalhes que em certos instantes pode ser enxergada como uma historiografia narrativa descritiva, um pouco longe de conteúdos ou comentários críticos, mas que nos fazem estar “presentes” em cada momento do acontecido. Sejam eles as reuniões dos poderosos produtores e senhores de engenho, com seus Status e patentes, os questionamentos e tentativas de interferência das Ordens Religiosas, o apadrinhamento nas câmaras municipais, a constituição das milícias ou as desordens causadas pelas insurreições dos cativos, causando pânico em certas vilas.
Em Segredos Internos, Stuart Schwartz labuta sobre leis e impostos da época, registros civis, escrituras oficiais, anotações de engenhos, livros contábeis, registros de imóveis, tipos e valores correspondentes a moedas, medidas e pesos, dentre uma vastidão de fontes, as quais são estudadas com afinco para que ao transpassa-las não levem a raciocínios tendenciosos e que ocasionalmente já trazem consigo embutidas (ou explicitados) certos pensamentos ou acontecimentos. Para isso procura mergulhar em um contexto adverso, na tentativa de dominar um pensamento existente em outra época, construído diante das circunstâncias que hoje não existem mais, numa tentativa de reviver algo não vivido e extremamente complexo. E insisti em renegar o declínio que temos em construir o passado por meio de nossos pensamentos atuais, os quais tendenciam todo e qualquer escrito, pois somos sujeitos e parte do nosso tempo e lugar, acostumados com nossas visões e pensamentos (outrora construídos) baseados no nosso modo de ver, deduzir e mensurar, e acordo com nossos pontos de vista, subjugados por nossa ótica e experiência.
Nesta obra, pode ser notada também uma presença constante de citações ou estudos feitos por outros autores, o caso de Antonil é um deles, pois este visitou a época, alguns engenhos no período de seus funcionamentos e foi usado como fonte constante de pesquisa. Em dado momento exorta o poder do açúcar na sociedade colonial, o qual não deixou de ser o principal produto de exportação brasileiro, mesmo no auge da produção aurífera. Em certa altura faz comparações com historiadores clássicos como Celso Furtado ou Simonsen, contestando números levantados por estes no tocante aos lucros, despesas e a importância do açúcar para com o desenvolvimento da sociedade brasileira e em especial a baiana. Assim como confronta seu ponto de vista com idéias e pensamentos de outros escritores brasileiros, os quais não traduziriam – isentamente – a realidade correspondente a determinadas épocas.
Enfim, Stuart Schwartz teve como foco central de suas pesquisas neste livro, os engenhos na região de Salvador e Recôncavo, procurando esquadrinhar, investigar todas as suas particularidades, traçando com isso um espelho da sociedade baiana que girava em torno do fabrico do açúcar, e nisso expande esses conceitos para todo o restante da sociedade brasileira colonial.